BIM na Construção Civil com tecnologia e gestão Eficiente
Neste artigo, vamos explorar como o uso do BIM está se tornando obrigatório no Brasil, a sua importância na transformação digital da construção civil, as iniciativas de adoção da tecnologia em diferentes estados e como ela está sendo utilizada em projetos reais.
Quando o BIM Será Obrigatório no Brasil?
Desde 1º de janeiro de 2021, o uso do BIM se tornou obrigatório para empresas que desejam prestar serviços a órgãos públicos federais, conforme o Decreto nº 10.306/2020. Essa determinação visa melhorar a eficiência, reduzir custos e aumentar a transparência nas obras públicas. O objetivo é garantir que todas as etapas dos projetos, desde o planejamento até a execução, sejam bem documentadas, visualizadas e gerenciadas, reduzindo as falhas que são comuns na construção civil.
No entanto, a adoção do BIM não se limita aos projetos federais. Muitos estados e municípios estão buscando também implantar a metodologia em suas obras públicas, visando melhorar a eficiência e o controle dos recursos. O uso do BIM, portanto, está se tornando não apenas uma exigência para empresas que desejam trabalhar com o governo, mas também um diferencial competitivo no setor privado.
Qual é a Questão em Torno do BIM e Revit?
O BIM é uma metodologia, enquanto o Revit é um software específico que facilita a implementação dessa metodologia. O Revit permite a criação de modelos 3D detalhados de edifícios e infraestruturas, permitindo que os profissionais de construção visualizem e simulem como um projeto será executado antes de iniciar a obra. Essa simulação pode antecipar problemas e ajustar o cronograma, custos e recursos de forma eficiente.
A grande questão em torno do BIM e do Revit está em entender que a tecnologia por si só não resolve todos os problemas. Para que o BIM seja realmente eficaz, é necessário um planejamento bem estruturado, equipes treinadas e integração entre todas as partes envolvidas no projeto. Ou seja, o Revit é uma ferramenta poderosa, mas é o processo BIM que realmente transforma o projeto de construção.
Estados do Brasil que Adotam o BIM
Em diversas partes do Brasil, estados e prefeituras têm incentivado a adoção do BIM para melhorar o planejamento e a execução de obras públicas. Um dos exemplos mais notáveis é o Paraná, onde foi estabelecido um convênio entre a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado para fomentar a utilização da ferramenta. A colaboração visa não só a capacitação de profissionais, mas também a implementação de novas práticas no setor público de construção, o que traz um impacto direto na redução de custos e prazos.
MDIC Apresenta o Plano de Trabalho da Nova Estratégia BIM BR para 2025-2027
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciou, em novembro de 2024, a Nova Estratégia BIM BR. O plano de trabalho para os anos de 2025 a 2027 busca capacitar mais profissionais no uso do BIM, melhorar a regulamentação e promover uma integração maior entre o setor público e privado. O objetivo é transformar o Brasil em um dos líderes mundiais na adoção do BIM, contribuindo para a modernização e sustentabilidade do setor da construção civil.
O Papel da CBIC e na adoção do BIM
A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) tem desempenhado um papel fundamental na disseminação do BIM no Brasil. Em eventos como o ENIC 100, a CBIC discutiu como a ferramenta pode contribuir para a sustentabilidade da construção, ajudando as empresas a reduzir desperdícios, otimizar recursos e diminuir o impacto ambiental dos projetos. A CBIC tem incentivado a adoção do BIM não apenas como uma exigência técnica, mas como uma ferramenta para a inovação no setor.
Estados que Estão Avançando com o BIM no Brasil
Crea-PR: Iniciativas de Educação e Implementação do BIM
O CREA-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná) tem sido referência nacional em ações de capacitação e promoção do BIM. A autarquia mantém convênios com instituições como a FGV (Fundação Getulio Vargas) para desenvolver cursos e programas voltados à implementação prática da metodologia no setor público e privado.
Durante a 5ª Reunião Ordinária do Colégio de Presidentes do Sistema Confea, Crea e Mútua, realizada em agosto de 2024, em Manaus (AM), a adoção do BIM foi um dos temas centrais. O encontro destacou como a metodologia pode transformar a gestão de obras públicas, promovendo eficiência, controle de custos e qualidade na execução dos projetos.
Santa Catarina: Exemplo de Pioneirismo em Projetos Públicos
Santa Catarina é um dos estados que mais investem na modernização da infraestrutura pública. A Secretaria da Infraestrutura e Mobilidade (SIE) tem adotado o BIM como modelo-padrão de contratação em diversas obras, principalmente rodovias e pontes. O estado implementou um projeto piloto com a metodologia BIM para a reestruturação de trechos da SC-401, em Florianópolis, visando ampliar a transparência, reduzir retrabalho e aprimorar o cronograma de execução.
Bahia: BIM nas Obras do Governo Estadual
Na Bahia, o uso do BIM começou a ser testado em obras públicas ligadas à área da saúde e da educação, por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER). O estado também conta com editais que já exigem o uso da metodologia, com o objetivo de melhorar a previsibilidade de custos e prazos. Além disso, há parcerias com universidades locais para capacitar engenheiros e arquitetos em BIM, promovendo a difusão técnica regional.
Rio Grande do Sul: Normatização e Incentivo à Cultura BIM
No Rio Grande do Sul, a Secretaria de Obras e Habitação vem adotando o BIM em projetos estruturais e de habitação popular, com o objetivo de elevar a produtividade e a rastreabilidade das etapas de obra. O estado se destacou por criar um manual técnico BIM para orientar os profissionais envolvidos nas contratações públicas. Além disso, o governo estadual tem promovido workshops com o apoio da UFRGS, incentivando o desenvolvimento de projetos-piloto com tecnologias digitais.
São Paulo: BIM em Projetos de Grande Porte
O estado de São Paulo é um dos principais centros de uso do BIM no Brasil, com destaque para grandes obras públicas de mobilidade urbana, como o Metrô de SP e os corredores da EMTU. O uso do BIM permite simulações completas de etapas de execução, resultando em ganhos significativos de eficiência e controle. A Companhia Paulista de Parcerias (CPP) também passou a exigir o uso da metodologia em projetos licitados, tornando-se referência em modelagem e gestão digital.
Pará e a modernização da gestão pública
O Pará também está se posicionando como um dos estados que investem na modernização da gestão pública por meio do BIM. A Secretaria de Estado de Transportes (SETRAN) iniciou projetos-piloto com modelagem 3D em obras viárias estratégicas, com foco em melhorar o planejamento logístico e reduzir erros de execução. Além disso, o estado tem fomentado a capacitação de engenheiros e arquitetos do serviço público com apoio de instituições como a UFPA e o Instituto Federal do Pará (IFPA), fortalecendo a aplicação da metodologia no norte do país.
Recentemente, a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belém passou a incorporar o BIM em seus editais de obras de urbanização e saneamento, reforçando o compromisso do estado com práticas mais eficientes, sustentáveis e alinhadas ao cenário nacional de transformação digital.
Uso de BIM nas Prefeituras e as compras públicas
O uso obrigatório do BIM nas prefeituras brasileiras tem se mostrado uma oportunidade única para melhorar a gestão das compras públicas. Com a adoção do BIM, os órgãos públicos podem planejar, contratar e executar obras de forma mais eficiente, com menos riscos de erros e sobrecustos. Além disso, o uso de tecnologia como o BIM facilita o processo de licitação, garantindo maior transparência e economia para o governo.
Em abril de 2024, o MundoGEO destacou como o uso de BIM nas prefeituras pode reduzir significativamente os custos de compras governamentais, permitindo uma melhor alocação de recursos públicos e garantindo a entrega de obras dentro do prazo e orçamento previstos.
Estudos de caso do BIM no Brasil
Diversos projetos no Brasil já utilizam o BIM de forma eficaz, e os resultados têm sido promissores. Um exemplo é o Projeto da Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo, que utilizou o BIM para planejar e simular a construção da linha, identificando problemas antes mesmo do início da obra. A metodologia ajudou a otimizar o uso de materiais, o cronograma e os custos da obra, evitando atrasos e garantindo a qualidade da execução.
Outro exemplo de sucesso é o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, que passou por um processo de modernização para a Copa do Mundo de 2014, utilizando o BIM para melhorar a gestão de todo o projeto. A ferramenta foi crucial para o gerenciamento da obra, permitindo um controle maior sobre os recursos e minimizando desperdícios.
O Futuro do BIM na Construção Civil
A adoção do BIM está mudando a forma como o Brasil lida com a construção civil. A metodologia não só melhora a eficiência e a qualidade das obras, mas também traz benefícios econômicos e ambientais.
Com o uso obrigatório em obras públicas, o apoio de estados e prefeituras e a crescente conscientização das empresas sobre os benefícios dessa tecnologia, é certo que o BIM terá um papel fundamental na transformação do setor da construção civil nos próximos anos.
Para os profissionais que ainda enfrentam dificuldades com gestão de projetos, planejamento e uso de tecnologia, a implementação do BIM pode ser a chave para uma gestão mais eficiente e menos burocrática, garantindo que os projetos sejam entregues no prazo, com qualidade e dentro do orçamento. A transformação digital chegou para ficar, e o BIM é a ferramenta que está liderando essa mudança.
Estudos de Caso do BIM no Brasil
A adoção do BIM em projetos reais já demonstra impactos concretos na redução de custos, ganhos de eficiência e melhoria na qualidade da entrega. De obras de infraestrutura a construções públicas, o Brasil conta com diversos exemplos que ilustram o potencial da metodologia.
Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo
Um dos maiores e mais relevantes cases é a Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo, que aplicou o BIM na fase de planejamento e modelagem para prever interferências, integrar disciplinas e simular cronogramas de execução. O uso da tecnologia permitiu identificar conflitos entre sistemas estruturais e eletromecânicos ainda na fase de projeto, evitando retrabalho e atrasos durante a construção. Também foi possível gerar relatórios de custo e planejamento compatíveis com as exigências de órgãos reguladores e financiadores.
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Durante as obras de modernização para a Copa do Mundo de 2014, o Estádio do Maracanã utilizou a modelagem BIM para planejar a demolição parcial, reconstrução da cobertura e adequações exigidas pela FIFA. A modelagem auxiliou na gestão integrada dos processos e no cumprimento de prazos rígidos, reduzindo riscos operacionais em um projeto de visibilidade global. O BIM ainda possibilitou rastrear alterações contratuais e gerar documentação compatível com as normas internacionais.
Complexo Hospitalar da UFRN – Rio Grande do Norte
No Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do RN utilizou o BIM para projetar e executar um novo complexo hospitalar universitário. O modelo 3D permitiu validar interferências entre redes de climatização, elétrica e hidráulica ainda na fase de projeto executivo, além de contribuir com a compatibilização de laudos técnicos e licenças sanitárias. A tecnologia foi integrada ao cronograma (4D) e ao orçamento (5D), com ganhos diretos em planejamento e compliance técnico.
Centro Administrativo do Governo de Goiás
O Centro Administrativo de Goiás também é exemplo de aplicação de BIM em escala estadual. O complexo, que reúne secretarias e órgãos do governo estadual, passou por reestruturações gerenciadas com BIM, permitindo que fosse possível prever o impacto de cada fase de reforma sobre o funcionamento dos órgãos. Com o modelo digital, a equipe técnica mapeou os riscos operacionais e reduziu o tempo de resposta a imprevistos durante a execução.
Infraestrutura Urbana em Florianópolis (SC)
Em Santa Catarina, a Prefeitura de Florianópolis aplicou BIM na requalificação do Terminal Integrado de Transporte Urbano. O projeto envolvia não só a construção, mas a integração com sistemas de mobilidade já existentes. O BIM foi essencial para criar simulações operacionais que embasaram decisões técnicas e licitatórias, resultando em economia de recursos e prazos mais curtos.
Documentação Necessária para Implantação do BIM em Projetos
A adoção do BIM exige mais do que a contratação de um software ou a capacitação da equipe — ela envolve uma base documental robusta, que serve de guia para todas as etapas do ciclo de vida do projeto. Abaixo, estão os principais documentos que empresas e instituições devem elaborar ou ter em mãos:
1. Plano de Execução BIM (PEB)
Documento-chave que define como o BIM será implementado em um projeto específico. Ele detalha responsabilidades, softwares utilizados, cronograma de modelagem, fases de entrega, LOD (nível de desenvolvimento) esperado e formas de compartilhamento dos arquivos.
🔧 Obrigatório em licitações públicas com exigência de BIM.
2. Modelos e Templates de Projeto
Arquivos padronizados para início de novos projetos dentro dos softwares BIM (como Revit, ArchiCAD ou IFC). Servem para garantir uniformidade na modelagem, uso de parâmetros, famílias e bibliotecas, alinhando equipes internas e fornecedores.
3. Matriz de Responsabilidades (BIM Mandate)
Documento que esclarece quem faz o quê, evitando conflitos entre projetistas, coordenadores, contratantes e construtores. Idealmente, está vinculado ao PEB e ao contrato principal do projeto.
4. Guia de Níveis de Desenvolvimento (LOD)
Define o grau de detalhe exigido para cada disciplina (arquitetura, estrutura, instalações) em diferentes fases do projeto: concepção, anteprojeto, executivo e obra. Importante para evitar retrabalho e expectativas desalinhadas entre as partes.
5. Documentação em IFC e/ou COBie
Os arquivos em formato IFC (Industry Foundation Classes) e COBie (Construction-Operations Building Information Exchange) são padrões abertos exigidos em diversas licitações. Garantem a interoperabilidade entre softwares e facilitam a transferência de dados do projeto para a operação e manutenção.
6. Manual de Entrega de Modelos
Define os formatos finais, diretórios de armazenamento, nomes de arquivos, estrutura de pastas e protocolos de revisão. Essencial para garantir que todos os envolvidos entreguem os modelos de forma padronizada e rastreável.
7. Termo de Compromisso e Conformidade com Normas Técnicas (ABNT NBR 15.965 e 16.060)
Documento que confirma o alinhamento do projeto com as principais normas técnicas brasileiras relacionadas à modelagem BIM, gestão de informações e interoperabilidade.
Como a CBRdoc pode apoiar?
A digitalização de processos e a implementação do BIM exigem muito mais do que tecnologia: envolvem organização documental, segurança jurídica e conformidade com normas técnicas. É nesse ponto que a CBRdoc se torna uma parceira estratégica.
Confira abaixo as documentações e processos em que a CBRdoc pode atuar diretamente na sua empresa, no seu negócio ou nos projetos dos seus clientes:
Documento BIM | A CBRdoc fornece? | Como atua? |
---|---|---|
Termo de Compromisso (ABNT) | ✅ Sim | Digitalização, segurança jurídica |
Matriz de Responsabilidades (BIM Mandate) | ✅ Sim | Estrutura jurídica, assinatura digital |
Plano de Execução BIM (PEB) | 🟡 Parcialmente | Apoio documental, organização e versão |
Manual de Entrega de Modelos | ✅ Sim | Digitalização, padronização, repositório seguro |
Contratos e Documentos Jurídicos BIM | ✅ Sim | Validação, controle de versões |
IFCs, COBie, Templates Técnicos | ❌ Não | (Responsabilidade da equipe técnica) |